sobrepartilha
quinta-feira, 17 de março de 2011
Conselhos para os amigos chegados
segunda-feira, 14 de março de 2011
O findar e o prólogo
Vem recolhendo o seu mel
Sem medo de do seu rastro eu me perder
Esqueces que estás a apagar
Os capítulos da nossa história
E as pegadas do tempo
Contas, antecipadamente, o fim da novela
Assim, sem abrir suas janelas
Para não escancarar o medo
Ficas a jogar conversa fora
Veste-se de escudos sem precisar
Pois já estou aos seus pés a lhe dizer
Mil segredos por detrás do véu
E se vai conforme amanhece o céu
Sozinha no seu caminho a percorrer
Qualquer direção que o sol iluminar
Quanto a “nós”, nisso já não há vitória
Nem fracasso, nem vazio, nem inteiro
Nem ao menos um sentimento de espera
Pensas que o meu final não foi feliz
Porém, aqui estou, mesmo que por um triz
Visto minhas roupas de estreia
E no palco contemplo outra atriz
E de ti estou, estou a mudar de ideia
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Carta Aberta
Quando sinto tua memória batendo na porta da minha alma, meu sorriso vibra com um pouco mais de estranha alegria. Quando numa música reconheço sua voz, sinto meu ser frágil, debilitado pelo tempo e humano entrar em processo de evolução. Quando teus braços me envolvem durante a noite abandonada, percebo que a morte deixa de rondar minha mente.
Dez anos se passaram e apesar dos dias vagarosos e estações infinitas, amo-te ainda mais. Lembro de quando assistimos o sol brilhar no mais alto oriente e como passei a te desejar intensa e eternamente. Quão feliz foi o dia em que notei teu sentimento recíproco, se o mundo despertasse meus pesadelos ainda teria motivos para sonhar. Hoje, saudades e lágrimas ocupam minhas horas e, pelo o que parece, estão voando pela janela.
Todo o amor incondicional que dedicamos um ao outro vejo presente nos olhos de nossos filhos. Nossos netos cresceram desde sua partida, alguns de nossos cantores favoritos se aposentaram, casais amigos se divorciaram, poucos parentes faleceram. O tempo passou. Mas saiba que nossas cartas de amor estão guardadas, as fotos que retratam tantas épocas estão preservadas, a casa continua limpa como você sempre gostou e não me esqueço de alimentar os cachorros duas vezes por dia. Eles também sentem sua falta.
Ah, querida. O mundo está tão diferente desde que você se foi. Não está vazio, pois ainda te levo comigo todos os dias, mas está menos emocionante, as cores parecem obsoletas e os programas de TV não tem mais tanta graça. Contudo, creio que este não é o fim.
Nos vemos em breve,
Com amor.